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O que é um tumor cerebral?

 

Tumor cerebral é o crescimento anormal de células dentro do crânio que pode levar a compressão e lesão de células normais do cérebro. Podem ser “benignos” ou malignos, sendo que apenas os tumores malignos são denominados de câncer.

Geralmente esses tumores podem ser divididos em duas categorias:

  • Tumor cerebral primário: quando o tumor tem origem dentro do próprio crânio.
  • Tumor metastático, metástase ou tumor cerebral secundário: quando o tumor tem origem em outro órgão e se espalha pelo corpo.

As causas do aparecimentos dos tumores cerebrais são variadas e muitas vezes desconhecidas. Atualmente, sabemos que fatores genéticos individuais têm um papel relevante na origem dos tumores cerebrais.

Existem quase 100 tipos de tumores cerebrais, que geralmente recebem o nome do tipo da célula da qual se desenvolve. A maioria dos tumores no cérebro origina-se nas células gliais, que sustentam as células nervosas do órgão. Um tumor de células gliais é denominado glioma ou astrocitoma.

Os tumores cerebrais são classificados em grupos e de acordo com a rapidez com que se desenvolvem. Como regra geral, o tumor de menor grau é considerado menos agressivo, enquanto o de maior grau é o mais agressivo.

Algumas particularidades definem a agressividade de um tumor cerebral:

Os tumores benignos e considerados menos agressivos apresentam um crescimento lento, não aparecem em outros locais e, geralmente são tratados com cirurgia.

Em relação aos tumores malignos ou agressivos, apresentam um crescimento rápido, podem invadir localmente o tecido cerebral e geralmente precisam de tratamento complementar após a cirurgia, através de quimioterapia e radioterapia.

É muito importante que o tratamento seja realizado num centro especializado, podendo oferecer as melhores condições para a criança e os pais.

 

Como saber se meu filho tem um tumor cerebral?

Alguns sinais clínicos são fáceis de identificar, mas fazem confusão com diversas outras doenças mais frequentes na infância. Os mais comuns são dores de cabeça e vômitos, muitas vezes decorrentes do aumento da pressão no interior do crânio.

Assim, quando a criança se queixa frequentemente de dores de cabeça, principalmente a noite, ou acordam com dores de cabeça ou vomitando devem ser investigadas.

Até 40% das crianças com tumores cerebrais podem apresentar acúmulo de líquido céfalo-raquidiano (hidrocefalia), o que rapidamente pode evoluir para uma sonolência excessiva e perda dos reflexos. Outros sintomas como crises epilépticas, paralisias em alguma parte do corpo, alterações de fala eventualmente podem aparecer.

Outros sinais menos comuns, tais como alterações na curva de ganho de peso e altura, sede excessiva e grande volume e frequência urinária, sinais de puberdade precoce, devem servir de alerta para pediatras que acompanham seus pacientes. Investigações endocrinológicas eventualmente evidenciam tumores cerebrais como sendo a causa desses transtornos de desenvolvimento.

Quando ocorre o diagnóstico, é indicado procurar um neurocirurgião para esclarecer todas as dúvidas com relação à gravidade do problema e à melhor forma de tratar o problema.

Quais são os tipos de tumores do Sistema Nervoso Central mais comuns em Crianças?

Gliomas ou Astrocitomas

Grande parte dos tumores cerebrais na faixa pediátrica são originários das células da glia e, portanto, chamados de gliomas. As células da glia dão suporte aos neurônios. Os astrocitomas são o tipo mais comum de glioma e se desenvolvem a partir de células gliais específicas, chamadas de astrócitos. Esses tumores podem ter diferentes velocidades de crescimento. Alguns são bem localizados e de comportamento mais benigno, e outros são difusos, ou seja, não existe um limite claro entre o tumor e o tecido normal do cérebro, podendo ter comportamento mais agressivo. Esse tipo de tumor também é comum nos adultos, porém em crianças algumas localizações são mais características, como as vias ópticas, tálamo, cerebelo e tronco.

 

Ependimomas

Esses tumores são originários das células ependimárias, responsáveis por exemplo, por revestir as cavidades cerebrais que armazenam o líquor (líquido céfalo-raquidiano). Cerco de 5% dos tumores cerebrais em crianças são ependimomas, e geralmente se localizam próximo ao cerebelo em uma região denominada 4º ventrículo. Ë um tipo de tumor mais frequente nas crianças e adolescentes. Pode haver disseminação para outros locais do sistema nervoso no momento do diagnóstico. E podem variar de tumores de baixo grau (menos agressivo) até tumores mais agressivos (malignos), também chamados de ependimomas anaplásicos.

Meduloblastoma e Tumores Neuroectodérmicos Primitivos (PNETs)

meduloblastoma é um dos tumores no cérebro mais comuns e malignos em crianças. São tumores invasivos e de crescimento rápido que se desenvolvem na região de trás da cabeça (que contém o tronco encefálico e cerebelo). O diagnóstico baseia-se em Ressonância Magnética e biópsia/ressecção do tumor. O tratamento é uma combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. A boa notícia é que as crianças têm melhores chances de sobreviver e apresentar bom prognóstico funcional do que os adultos.

Os meduloblastomas são um tipo de PNET, ou seja, que se originam de células imaturas do sistema nervoso central, denominadas células neuroectodérmicas. São raros em adultos e correspondem a 20% dos tumores cerebrais em crianças. Assim como os meduloblastomas, os demais PNETs podem ter crescimento muito rápido e muitas vezes se espalhar pelo SNC através do líquido cefalorraquidiano.

 

Craniofaringioma

O craniofaringeoma é considerado um tipo de tumor relativamente benigno do SNC. No entanto, devido à sua localização, podem ter um comportamento agressivo. Estes tumores costumam se originar acima da glândula hipofisária, podendo comprimir essa glândula e também o hipotálamo, e consequentemente causando problemas hormonais, alterações do apetite, como hipergfagia, obesidade, entre outros. Podem ainda comprimir os nervos ópticos, causando perda de visão.  Acredita-se que este tumor tenha origem de restos embrionários de uma estrutura chamada bolsa de Rathke. Por algum motivo estes restos embrionários não desaparecem, se multiplicam de forma desordenada e dão origem a este tumor especialmente na faixa etária das crianças.

Tumores do Plexo Coroide

Esse tipo de tumor é mais comum em crianças, especialmente em menores de de 1 ano, representando 10 a 20% dos tumores nesta faixa etária. Plexo coróide, estrutura responsável pela produção de líquido céfalo-raquidiano (líquor), fica dentro de cavidades chamadas ventrículos, que por sua vez armazenam o líquor. Tumores do plexo coróide podem aumentar a produção de líquor e causar hidrocefalia. Veja mais sobre hidrocefalia aqui.

 

Tumores de Células Germinativas

Os tumores de células germinativas (TCGs) são neoplasias benignas ou malignas derivadas das células germinativas, que dão origem aos espermatozoides e óvulos. Podem ocorrer dentro das gônadas (ovários ou testículos), mas também podem aparecer fora das gônadas, sendo chamados de extragonadais (os tipos mais comuns são: sacrococcígeo, retroperitôneo, mediastino e sistema nervoso central). Os tumores de células germinativas do sistema nervoso que ocorrem em crianças e adolescentes na maioria das vezes se localizam na glândula pineal. Estes tumores podem muitas vezes ser diagnosticadas através da dosagem de certas substâncias químicas no líquido cefalorraquidiano ou no sangue. Caso seja necessária biópsia, esta pode muitas vezes, ser realizada através da neuroendoscopia. Devido aos avanços no tratamento houve uma melhora significativa dos resultados. Pacientes com doença maligna localizada têm entre 80 e 90% de sobrevida.

Entre os tipos de tumores de células germinativas do sistema nervoso estão o germinoma, coriocarcinoma, carcinomas embrionários, teratomas e tumores do seio endodérmico.

 

Saiba mais:

Tumores cerebrais na infância.

 

Dr. Ricardo Santos de Oliveira – Neurocirurgião CRM 81527

Dr. Marcelo C. M. Amato – Neurocirurgião CRM 116579

Dr. Marcelo Amato - CRM: 116.579
Dr. Marcelo Amato - CRM: 116.579
Médico e Neurocirurgião pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP); Doutor em Neurocirurgia (Clínica Cirúrgica) pela Universidade de São Paulo (FMRP-USP), orientado pelo Prof. Dr. Benedicto Oscar Colli; Especialista em Neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e pela Associação Médica Brasileira (AMB); Especialista em Cirurgia de Coluna pela Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e Associação Médica Brasileira (AMB); Linha de Pesquisa em Cirurgia Endoscópica da Coluna desde 2013 pela FMRP-USP com diversos artigos e livros publicados nacional e internacionalmente; elaboração de aulas e cursos nacionais e internacionais sobre Endoscopia de Coluna, e realização de consultorias em todo território nacional ; Neurocirurgião referência do Hospital de Força Aérea de São Paulo (HFASP); Diretor do Amato - Hospital Dia;

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