fbpx
SÉRIE RELATOS | Oito meses de uma jornada com hérnia de disco e dor
9 de fevereiro de 2021
SÉRIE RELATOS | De 48 dias de terror com Hérnia de Disco à Cirurgia Endoscópica e alívio total
30 de março de 2021

SÉRIE RELATOS | Do Acre a São Paulo: a saga para o fim da hérnia de disco

No extremo noroeste do Brasil, na pequena cidade de Rio Branco, Crislane Solon observa uma cadeira de rodas. Seus pensamentos a levam para um tempo futuro a imaginar como seria sua movimentação e rotina caso não pudesse evitar o novo “veículo”. Lágrimas escorrem na angústia de dores tão insuportáveis que ela jamais pôde imaginar. Nem mesmo durante o nascimento de seus três filhos. Os pensamentos agora mudam a direção e vão para o passado, quando tinha alegria de viver, de caminhar pela natureza… Quando era livre. O presente, no entanto, não permitia qualquer movimento de suas pernas, pois uma dor que começava no final da coluna lombar e irradiava por toda a perna esquerda até os pés não poupava nem mesmo os momentos de descanso. Então ela se rendeu e sentou-se na cadeira de rodas.

O ano era 2019 e as catástrofes e conflitos mundiais, registrados mês a mês no noticiário, pareciam refletir internamente em Crislane. Foi em meados de abril que a Catedral de Notre Dame, na França, foi incendiada; que os astrofísicos registraram, pela primeira vez, um buraco negro no centro de uma galáxia distante; e que Crislane abaixou “para pegar uma caixa de pisos, que deixaria mais belo o chão de sua casa, e sentiu estralar as costas”. Lembra do susto que levou e de “ter iniciado a dor que não parou de aumentar”. Ali, ela ainda não sabia, era o começo de meses de desespero, mas também de prova de amizades e generosidades.

A busca por tratamentos para hérnia de disco

No início, um clínico geral sugeriu que poderia ser uma inflamação no nervo ciático. O exame de imagem confirmou a suspeita do médico: uma hérnia de disco localizada entre as vértebras L4/L5 comprimiam o seu nervo ciático. Encaminhada para o neurocirurgião, Crislane tentou de tudo para evitar uma cirurgia: “fizemos diversas infiltrações, tomei remédios cada vez mais fortes, mas sem efeito. Depois ele me encaminhou para outras especialidades terapêuticas, como: quiropraxia, fisioterapia, osteopatia, mas nenhuma opção sequer amenizou a minha dor”, relembra.

O neurocirurgião, então, a encaminhou para uma cirurgia de artrodese. Este procedimento é mais conhecido por cirurgia tradicional, onde o médico faz uma incisão grande o suficiente para afastar músculos e tecidos até chegar à coluna. Apesar de ter certa agressividade e exigir cuidados minuciosos no pós-operatório, Crislane aceitou. “Eu só pensava em me livrar imediatamente daquela dor, precisava ser liberta e a essa altura já topava qualquer coisa”.

A coluna vertebral possui discos entre os ossos que agem como amortecedores dos movimentos e impactos. Essa estrutura é redonda, firme por fora e macia por dentro. Quando o impacto é grande, esse disco pode ser danificado e o núcleo vaza em direção aos nervos próximos. De acordo com a Sociedade Europeia de Coluna (Eurospine), estima-se que cerca de metade da população mundial tenha algum disco herniado. Em cada um a doença pode se manifestar de forma diferente, com ou sem sintomas e requerer variados tipos de tratamento.

Há quem acredite que nada do que acontece na vida é por acaso. O que eles diriam ao saber que por duas vezes Crislane marcou a cirurgia de artrodese, mas em nenhuma deu certo de acontecer?

Pouco tempo depois, em um grupo de conversas com pessoas em situação semelhante, de todo o Brasil, Crislane viu uma informação que acenderia sua chama de esperança: a possibilidade de passar com um neurocirurgião em São Paulo, especialista em cirurgia endoscópica de coluna. Seria uma serendipidade?

A técnica endoscópica é minimamente invasiva e um pequeno acesso (sem a necessidade de agredir músculos e tecidos próximos da coluna) permitiria retirar a hérnia de disco, descomprimir o nervo e receber alta poucas horas depois da operação. “Parecia que aquilo era o certo para mim”, pensou Crislane.

Seus sentimentos de dor e tristeza começaram a conflitar com a luz que reacendia em seu coração. Ao olhar para sua vida e a situação em que se encontrava, longe das atividades que amava, sem a qualidade que antes desfrutava da vida ou mesmo fornecia para sua família, em cuidados e atenção, nada parecia fazer sentido. Mas agora ela acreditava que tudo isso estava prestes a mudar.

A superação de três mil quilômetros de distância e a cirurgia endoscópica

São Paulo está há mais de três mil quilômetros e meio de distância de Rio Branco, no Acre. Crislane “não tinha condições de percorrer este caminho”, mas no auge de sua condição, cada vez mais debilitada, deixou o quarto — de onde agora passava a maior parte do seu tempo — e olhou a paisagem do lado de fora. Levantou a cabeça em sua constante oração e apreciou o momento.

Desde que encontrei as informações da cirurgia no site do Dr. Marcelo Amato, senti confiança e quis ir até ele”.  Crislane sabia que esta era a sua chance e precisava conseguir ajuda. Familiares e amigos, já há muito sensibilizados por sua dor, organizaram então uma coleta de valores e colaboraram para sua viagem. Quanto carinho e generosidade envolvidos.

Em São Paulo, o calor do mês de janeiro daquele 2020 fervia a “selva de pedras”, um claro contraste com a paisagem acriana.

No primeiro contato com o Instituto Amato, a equipe mostrou excelente atendimento e foi rápido para marcar a cirurgia”, lembra. Mas para ela, o mais impressionante foi acordar da sedação: “tive medo de me levantar, mas quando toquei o chão, já sem dor, o sentimento de liberdade foi simplesmente incrível. Poucas horas depois recebi a alta e saí para caminhar e conhecer a cidade. Me senti tão livre que queria me movimentar, experimentar de volta uma vida sem dor”, desabafa.

A recuperação foi tranquila: na primeira semana, Crislane sentiu um pouco de desconforto ao virar-se de lado quando deitada, mas passou logo. A pequena cicatriz foi cuidada apenas com água e sabão neutro. “Eu nasci de novo”, reflete Crislane que continua bem de saúde há mais de um ano após a cirurgia.

Ao olhar para toda essa história, é fácil perceber como mesmo em seu momento mais sombrio e sem esperança, Crislane pôde reencontrar a esperança quando cada acontecimento pareceu se mover para que ela chegasse à recuperação que precisava.

 …………………………..

*Crislane de Freitas Solon tem 32 anos, é agente de saúde, mora no Acre e concordou livremente em compartilhar sua experiência.

“Relatos” é uma série de entrevistas onde pacientes compartilham sua experiência sobre patologias da coluna, desde a descoberta até a solução. O objetivo é criar uma rede de apoio humanizada e informativa para auxiliar aos que se identificam e se encontram nas mesmas condições, para que possam ter esperança e buscar ajuda especializada.

Dr. Marcelo Amato - CRM: 116.579
Dr. Marcelo Amato - CRM: 116.579
Médico e Neurocirurgião pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP); Doutor em Neurocirurgia (Clínica Cirúrgica) pela Universidade de São Paulo (FMRP-USP), orientado pelo Prof. Dr. Benedicto Oscar Colli; Especialista em Neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e pela Associação Médica Brasileira (AMB); Especialista em Cirurgia de Coluna pela Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e Associação Médica Brasileira (AMB); Linha de Pesquisa em Cirurgia Endoscópica da Coluna desde 2013 pela FMRP-USP com diversos artigos e livros publicados nacional e internacionalmente; elaboração de aulas e cursos nacionais e internacionais sobre Endoscopia de Coluna, e realização de consultorias em todo território nacional ; Neurocirurgião referência do Hospital de Força Aérea de São Paulo (HFASP); Diretor do Amato - Hospital Dia;

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *